Às vezes acordo com uma sensação inexplicável de alegria que parece rebentar pelo meu peito fora e me faz pensar que a mais simples e rotineira actividade do dia é genial. O
utras vezes o abrir uma porta e encontrar do outro lado alguém de quem gosto muito ou abrir uma janela e olhar o céu fazem do meu dia um vulcão de felicidade capaz de entrar em erupção e absorver todos os que me rodeiam nesta felicidade. Mas é também no final destes dias que me sinto mais infeliz, que acabo por me sentir sozinha. tal como um relâmpago que se desenha no céu em segundos, também a minha felicidade desaparece e dá lugar a incertezas e medos. Nestes momentos sinto que as minhas emoções estão ao rubro e que a intensidade delas é difícil de controlar.Depois há aqueles dias em que não sinto absolutamente nada, dias em que dor ou alegria passam pelo meu corpo como um fantasma passa por uma parede. Estranho como a minha mente e o meu corpo conseguem ter sensações tão diferentes. Como é possível alguém sentir as coisas com tanta intensidade em alguns momentos e depois sentir absolutamente nada?
Às vezes penso se tudo o que vivi até agora não é apenas um sonho. Se todos os bons e maus momentos porque passei, todas as pessoas que passaram nem que por breves momentos não passam da minha imaginação. Fico a pensar se não vou acordar de repente e perceber que era tudo um sonho, e quando tento pensar no que encontraria quando acordasse vejo apenas o vazio. Tenho este pensamento desde muito pequenina. Lembro-me perfeitamente de ter uns 7 anos e estar deitada na minha cama e achar que ia acordar e que tudo o que se tinha passado não passava de um sonho, que todos os 7 anos da minha existência se iriam desvanecer em nuvens de fumo. Estranho como um pensamento tão rebuscado pode ter aparecido na minha mente tão cedo e como ainda aparece tão frenquentemente.
Às vezes tenho dificuldade em distinguir a realidade da minha imaginação, que chego a pensar se já não criei o meu próprio mundo imaginário e se não é nele que vivo. Se assim for sou eu que crio os meus próprios obstáculos, sou eu que impeço a minha felicidade propositadamente. Mas talvez as nossas vidas não passem mesmo de um sonho, nem que seja um sonho conjunto. Talvez acordemos oito horas depois de termos adormecido e nos apercebamos que durante essas horas criamos um mundo enorme e completo, uma vida na nossa imaginação. Talvez o acordar desse sonho seja a morte que nós imaginamos como um espectro encapuçado e escuro que nos vem buscar, mas que não passa de um anjo que levanta o encantamento de sono para nos deixar descansar para sempre. E se a nossa vida não passa mesmo da nossa imaginação então tudo o que quisermos imaginar torna-se realidade, temos a capacidade de sermos felizes pelas nossas próprias mãos, de escolher o nosso próprio caminho sem interferências. Então o porquê de ser tão complicado tomar uma decisão e ir contra a vontade dos outros quando sabemos aquilo que queremos?Porquê o medo da mudança e de tudo o que é novo e imprevisível?
O desconhecido deixa-nos reticentes, daí o medo do meu futuro. Todas as certezas se materializam em dúvidas no momento das decisões e apenas com força de vontade, coragem e ajuda daqueles que amamos seguimos em frente, nem que isso signifique deixá-los para trás no espaço. Pois, estes podem estar longe mas nunca saem do meu coração.
Ladybird